domingo, dezembro 23, 2007

Boas Festas!





É dos pequenos gestos simples que tiramos as maiores alegrias. É com atitudes genuínas, desinteressadas e espontâneas que conseguimos proporcionar, aos outros, melhores momentos. A nossa vida está nas nossas mãos. Com coragem e determinação, os momentos difíceis são apenas desafios interessantes, e 2007 mostrou-me que sou bem mais forte do que pensava. Aprendemos com os nossos erros e com as nossas conquistas. Temos bons e maus momentos, e é essencial que vivamos cada um deles com intensidade, conscientes da sua importância no nosso crescimento pessoal. É mais um ano que passa. Mais um balanço que fazemos. Mais uma série de novos planos. Saudades, tristezas, mágoas que nos assaltam e tentamos disfarçar. Um novo ânimo a que nos agarramos com unhas e dentes e que parece dizer-nos que o novo ano será melhor. No mínimo, será diferente.
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Neste novo ano...
"Vá a luta com DETERMINAÇÃO,
abrace a vida com PAIXÃO,
perca com CLASSE e vença com OUSADIA,
porque o mundo pertence a quem se ATREVE e a VIDA
é muito para ser INSIGNIFICANTE !"
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- C. Chaplin -
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FELIZ NATAL
E UM PRÓSPERO 2008

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Que belo dia, este!!!

Hoje fui beijar as pedras da calçada... logo de manhã, pela fresquinha. Lá se foram os saltos das botas novas (Pai, preciso de outras!). As dores de cotovelo são do caraças. Até fez sangue. Não devias rir-te de mim... para isso estou cá eu, ok? E continuo a dizer que parti um braço. Vais ver!
Deve ter sido sono... ainda estava 'off'. De facto dormi mal... esteve uma ventania que parecia levar as janelas de minha casa. Mas não! Arrancou só algumas telhas da casa velha ao lado do meu prédio. Tive muita sorte... só uma é que acertou no meu carro.

sábado, dezembro 15, 2007

Parece-me lindamente!

A Margarida até parece o Pai Natal... pareeece; não traz presentes à malta, mas sabe o que cada um de nós vai receber... pareeece; não sabe muito bem, mas sabe quem sabe. E eu, em abono da verdade, fiquei muito satisfeita com o meu presente deste ano. Posso escolher?! Posso? Posso?

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Hoje é o dia da minha Mãe



Há precisamente 30 anos, foi este o meu presente para ti... um single em vinil das Baccara, com o 'Yes, Sir I can boogie' - presente escolhido pelo Pai, porque aos 2 anos, se tivesse voto na matéria, eu preferia ter-te oferecido 'Os Meninos Rabinos', que era bem mais giro e, pelo menos, eu percebia o que eles cantavam. Não gostei muito do presente que te dei, segundo dizes, mas agora que já percebo inglês (apesar do delas ser assustador), até lhe acho alguma piada - sou mesmo muito eighties... - e ofereço-to, uma vez mais, com um beijo do tamanho do mundo. Adoro-te!


terça-feira, dezembro 11, 2007

Não me sai da cabeça




Devo ter uma cabeça enorme, tendo em conta a quantidade de imbecilidades que armazeno...
Mas nem tudo é desagradável. Esta música é deliciosa, andou todo o dia às voltas na minha cabeça e achei que era a hora de deixá-la sair e ganhar o seu espaço num espaço igualmente meu, mas sem que me distraia durante o sono.
Estupidamente - ao que consta - nunca vi a 'Anatomia de Grey'.

Monólogo de uma mulher moderna

São 5.30h da manhã, o despertador não pára de tocar e não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou acabada. Não quero ir trabalhar hoje. Quero ficar em casa, a cozinhar, a ouvir música, a cantar, etc. Se tivesse um cão levava-o a passear nos arredores. Tudo menos sair da cama, meter a primeira e ter de por o cérebro a funcionar. Gostava de saber quem foi a bruxa imbecil, a matriz das feministas que teve a ideia de reivindicar os direitos da mulher, e porque o fez connosco, que nascemos depois dela? Estava tudo tão bem no tempo das nossas avós... elas passavam o dia todo a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de condimentos, truques, remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos seus maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, recolhendo legumes das hortas e educando os filhos. A vida era um grande curso de artesãos, medicinas alternativas e cozinha.
Depois ainda ficou melhor. Tivemos os serviços, chegou o telefone, as telenovelas, a pílula, o centro comercial, o cartão de credito, a Internet! Quantas horas de paz a sós e de realização pessoal nos trouxe a tecnologia!
Até que veio uma tipa, que pelos vistos não gostava do corpinho que tinha, para contaminar as outras rebeldes inconsequentes com ideias raras sobre 'vamos conquistar o nosso espaço'. Que espaço?! Que caraças! Se já tínhamos a casa inteira, o bairro era nosso, o mundo a nossos pés!!! Tínhamos o domínio completo dos nossos homens, eles dependiam de nós, para comer, vestirem-se e para parecerem bem à frente dos amigos... e agora? Onde é que eles estão??? Nosso espaço???!!! Agora eles estão confundidos, não sabem que papel desempenham na sociedade, fogem de nós como o diabo da cruz. Essa piada acabou por encher-nos de deveres. E o pior de tudo... acabou por lançar-nos no calabouço da solteirice crónica aguda!!!! Antigamente os casamentos eram para sempre. Porquê? Digam-me por que razão um que tinha tudo do melhor, que só necessitava de ser frágil e deixar-se guiar pela vida, começou a competir com os machos? A quem ocorreu tal ideia? Vejam o tamanhão dos bíceps deles e vejam o tamanho dos nossos! Estava muito claro que isso não ia terminar bem.
Não aguento mais ser obrigada ao ritual diário de ser magra como uma escova, mas com as mamas e o rabo rijos, para o qual tenho que me matar no ginásio, ou de juntar dinheiro para fazer uma mamoplastia, uma lipo, ou implantes nas nádegas... Além de morrer de fome, pôr hidratantes, anti-rugas, padecer do complexo do radiador velho a beber água a toda a hora e acima de tudo ter armas para não cair vencida pela velhice, maquilhar-me impecavelmente cada manhã desde a cara ao decote, ter o cabelo impecável e não me atrasar com as madeixas, que os cabelos brancos são pior que a lepra, escolher bem a roupa, os sapatos e os acessórios, não vá não estar apresentável para a reunião do trabalho.
E não só, mas também ter que decidir que perfume combina com o meu humor, ter de sair a correr para ficar engarrafada no trânsito e ter que resolver metade das coisas pelo telemóvel, correr o risco de ser assaltada ou de morrer numa investida de um autocarro ou de uma mota, instalar-me todo o dia em frente ao PC, trabalhar como uma escrava - moderna, claro está - com um telefone ao ouvido a resolver problemas uns atrás dos outros, que ainda por cima não são os meus problemas!!! Tudo para sair com os olhos vermelhos - do monitor, porque para chorar de amor não há tempo!
E olhem que tínhamos tudo resolvido; estamos a pagar o preço por estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, perfumadas, unhas perfeitas, operadas, sem falar do currículo impecável, cheio de diplomas, de doutoramentos e especialidades, tornámo-nos super-mulheres mas continuamos a ganhar menos que eles e de todos os modos são eles que nos dão ordens!!!! Que desastre! Não seria muito melhor continuar a cozer numa cadeira?? Basta!!! Quero alguém que me abra a porta para que possa passar, que me puxe a cadeira quando me vou sentar, que mande flores, cartinhas com poesias, que me faça serenatas à janela! Se nós já sabíamos que tínhamos um cérebro e que o podíamos utilizar para quê ter que demonstra-lo a eles??
Ai meu Deus, são 6.10H, e tenho que levantar-me da cama... Que fria está esta solitária e enorme cama!
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Chegou por e-mail e desconheço a autora. Não concordo totalmente, mas não discordo na totalidade... confesso que também acho horrível ter de acordar cedo (até porque, no meio de tantas exigências, esquecem-se que uma boa parte da nossa beleza depende de umas boas horas de sono). Que se lixem as rugas, os cabelos brancos e tudo o que descai... mas deixem-me dormir só mais cinco minutos.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Um escorpião quer atravessar um rio, mas não sabe nadar. Pede ajuda a um sapo. Desconfiado, o sapo recusa-se a carregá-lo nas costas. O escorpião insiste. "Não posso", diz o sapo, "porque tu vais picar-me". "Não sejas burro, se eu te picar, morremos afogados os dois". O argumento faz o sapo ceder. No meio do rio, ao sentir o fogo do veneno nas costas, o sapo, perplexo, ainda tem tempo de perguntar porquê. "Não consegui resistir à minha natureza", explica o escorpião.


Eu também não consigo resistir à minha natureza...

Quase, quase aí à porta...

The Nightmare Before Christmas

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Acendo um cigarro e falo com o meu coração:
Esta noite tive um sonho; conheci um homem que tinha o mar no lugar do coração, e quando sentia o seu corpo contra o meu, ouvia lá fora a fúria do mar. Devagar, tudo o que nos rodeou foi-se tornando negro, e despeço-me de um rosto pelo qual arrisquei a vida e, por vezes, a razão.
Al Berto
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by Glover Barreto

terça-feira, dezembro 04, 2007

Resumo

O concerto de Peter Murphy foi - como alguém diria - um 'estouro'. O teatro da Palmilha Dentada, como sempre, foi um 'estouro', e o domingo pacato soube tão bem, tão bem... mesmo um 'estouro'. A minha vida é cheia de 'estouros'. Eu própria tenho um 'estouro', segundo dizem.

A balançar há 3 semanas, a minha saúde também tem sido um 'estouro' atrás do outro... e lá vamos mudando de sintomas, para que eu não me sinta entediada. De uma semana com uma alergia irritante e incómoda, para outra com um dente que devia trazer juízo e só traz dor, seguido de uma constipação forte e teimosa e, finalmente, um estômago 'curioso'... e nada disto passou definitivamente, até agora. Estou... 'estourada'.

Mas estou aqui!!! Chamam-me desaparecida e perguntam porque não venho aqui... mas eu venho. Sempre! Só tenho tido uns 'estouros' que me dificultam a escrita.

quarta-feira, novembro 28, 2007





Incomoda-me a passividade e a inércia. Incomoda-me a falta de coragem e a incongruência. Incomoda-me a desistência dos desejos, como me incomodam as vontades abafadas. Incomodam-me os lamentos cultivados e sustentados, obtusos e despropositados. Incomodam-me os caminhos traçados conscientemente em direcção ao vazio. Incomoda-me o abandono da vida com vida. Incomoda-me a pena que buscas. Incomodas-me, raios!

terça-feira, novembro 27, 2007

Peter Murphy





O ex-vocalista dos Bauhaus regressa a Portugal agora em Novembro. Peter Murphy tem um concerto (único) marcado para o Pavilhão Municipal de Vila Nova de Gaia, no próximo dia 30 de Novembro.

Quem vai? Quem vai? É eu!!!

Escritores da Liberdade

Com um jeitinho muito especial, a Mimo-te lá nos vai pregando umas partidas. Para nos adoçar a boca e amolecer o coração, mima-nos mesmo... anda por aí a distribuir o miminho que podem conferir ali na barra ao lado. Alguém resiste a isto? Pois não! A mulher é mesmo um mimo e ninguém tem coragem de lhe dizer que não.



"É a tua escrita totalmente livre?",
pergunta a Mimo-te...


Ao que eu respondo: Não, claro que não! É condicionada por mim mesma, porque não gosto de expôr-me demasiado - e acho que já o faço demais - e por quem sei que me lê - e porque não quero más interpretações. Tudo requer um cuidado exagerado, ao que parece. Será bom?!
Passo o desafio aos "desgraçados" dos meus (blogo)espaços amigos... da lista ali ao lado. Desenrasquem-se! É por gostar de todos vocês que vos passo esta batata quente. :)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Porque se matam as saudades

Não sonhas. Morres um pouco de manhã e ao meio do dia quando o sol mais queima. Tens de continuar. Tens de esquecer. Não aguentas mais. Tens de acabar, matar, recomeçar a viver. Só que ela está presa por dentro e tu agarrado a ela por um nó da garganta e não sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. Sais à noite com definitivos propósitos de não voltares sozinho. Compões dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo e esperas que bata certo. Levas um bocadinho do tecido rasgado e queres encontrar o todo. Mas não encontras ninguém. Pior, encontras alguém que te vem provar sem remissão que não a vais poder substituir tão facilmente porque não há mais nada no mundo inteiro depois dela senão um deserto de tempo que se estende à tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. Começas a beber, a fazeres-te mal, porque estás triste e não acreditas em nada senão na dor. Queres morrer e não podes e nem sequer coragem tens para te matar. E quando ainda pensas voltar atrás, também sabes que não é possível voltar atrás porque tu estás num mundo e ela noutro, os dois que tão depressa se afastam, encerrados em planas fotografias em que estão abraçados e nus e já não somos nós.
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Pedro Paixão, in "Nos teus braços morreríamos"

domingo, novembro 25, 2007

Acorda-me, Fala-me

«Por que me escreves? Que inspiração alheia te suja os dedos de versos, se os teu lábios não pronunciaram nunca as palavras que esperei, quando, em tardes de vento, te olhava em silêncio? Por que interrompes a estrofe no meu nome, a flor obscura de uma primavera que não chegou? Deixa-me!, entre as copas geométricas de um ritmo vegetal, respirando na efémera duração de vozes que não ouço; e sob um breve bater de folhas nos arbustos perenes que o fumo da madrugada escurece: sombra separada da própria sombra, e eco já vago de um canto de pássaro morto! E não deixes que a minha queixa se dissipe num rumor de águas estagnadas - charcos da chuva sedentária do outono, lagoas baças de um choro matinal...» Desperdícios de vida num fundo amargo de memória.
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- Nuno Júdice -

sábado, novembro 24, 2007

They´re back!




Ao que parece, os nossos meninos estão de regresso a Portugal, no próximo dia 8 de Março. Os nossos meninos, é como quem diz... o Robert Smith e os novos elementos dos The Cure, porque o resto já deu corda aos sapatos e fez-se à estrada. Têm um novo álbum para nos apresentar, dizem... e nós vamos lá ver, certo? Esperemos que eles não se esqueçam de quem fez deles os homenzinhos que são hoje, e nos brindem com um cheirinho do "The Cure in Orange".

See you!

sexta-feira, novembro 23, 2007

'Versos Nus' na Guia

O jovem poeta algarvio Tiago Nené apresenta o seu primeiro livro «Versos Nus», na Fnac do AlgarveShopping, na Guia, no sábado, dia 24, às 16 horas. Um evento a não perder, para quem estiver por perto - o que, infelizmente, não é o meu caso. De qualquer forma, um beijinho de boa sorte ao Tiago e todo o sucesso, mas com isso já todos nós contamos. Para aguçar a curiosidade, deixo um excerto de um poema que me agrada particularmente... e, para saberem mais, visitem o próprio Tiago, aqui.


(...)

Então mergulha mais fundo
Até veres os peixes
Ouve os seus lamentos
Eles também nadam neles

Não há só água no seu oceano...
No teu também não há só sorte ou amor ou lógica
Há contradições
Por isso não nades só...
Também mergulha
Mergulhar é fugir
Sem que a fuga seja cobarde.

- Tiago Nené -

segunda-feira, novembro 19, 2007

Uma imagem vale mais que mil palavras... e uma música?

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SEGREDO

O segredo está no amor,
é evidente,
mas também em sabermos
afastar do nosso convívio
o que não presta.
Só quem se libertou
do medíocre e do vazio
poderá ser feliz.

- TORQUATO DA LUZ -

terça-feira, novembro 13, 2007


Quando a saudade de ti apertar, ao ponto de se tornar insuportável e me impedir a respiração, abro a janela, deixo entrar o ar e procuro-te ao longe, na rua por onde te via chegar e, igualmente, a ansiedade me cortava o fôlego.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Cinzento???!!!

Como é possível dizerem com tanta convicção que a minha cidade é cinzenta?! A cidade da neblina, dizem... sim, e então? A cidade do granito... e depois? Temos janelas pintadas de azul, verde e amarelo, roupas nas varandas, sorrisos luminosos, um rio douro, o mesmo céu azul e o mesmo sol...




Esta fotografia foi tirada por R.R. na baixa do Porto, e foi "fanada" com muito jeitinho do olhares.com... E agora? Quem se atreve a dizer que o Porto é cinzento?!

quinta-feira, novembro 08, 2007

Norte Nome de Portugal

Não acredito que haja alguém da minha geração que não se lembre da "K" e dos belíssimos textos de MEC. Cá fica um deles, que me agrada particularmente (vá-se lá saber porquê...).


"Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.

Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.

Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.

Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Miguel Esteves Cardoso, revista K, 1990

quarta-feira, novembro 07, 2007

Agora eu era linda outra vez

Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor


Valter Hugo Mãe

segunda-feira, novembro 05, 2007

Nonsense...

.
(...)
- Quando é que perdes a cabeça comigo?
- Cala-te! Não digas disparates.
- Apetece-me dar-te um abraço.
- Cala-te!
- Mas os meus abraços...
- Chiiiu!!! Qual foi a parte do "cala-te" que não percebeste?!
- O hífen.
(...)

A melhor parte...

Melgaço
Lindoso - Gerês
... é poder parar o carro no meio da estrada... no meio da ponte... motor ligado... portas abertas... sair para apreciar este país que temos... tirar umas fotografias... espreitar mais à frente... mais abaixo... voltar e encontrar tudo como deixámos... carteiras, casacos, telemóveis e computadores no banco... que lá continuam... e nem sequer provocamos um engarrafamento... melhor, nem uma buzinadela... entrar no carro e pensar: vou fugir da cidade!

Blogue das Artes

Fui convidada pelo Tiago Nené para colaborar no Blogue das Artes...

Como???!!!
Pois é...

Confesso que não sei como chegaram aos meus espaços, e muito menos me ocorre o que viram por aqui que fez com que perdessem a lucidez e, num acesso de loucura, me abrissem as portas de tão agradável cantinho.
É certo que a minha casa é acolhedora e está arrumadinha e gosto de receber bem as visitas e ainda agora lhe mudei a decoração e... mas não passa de um simples espaço perdido na blogosfera, despretensioso e discreto, sem demais aspirações.

E também confesso que não entendo porque me soube bem o convite e me sinto lisonjeada, se só vêm dar-me trabalho... sim, porque aqueles meninos do Blogue das Artes parecem muito exigentes. A ver se estou à altura, senão ainda sou despedida (sim, porque já vi o "contrato" e não vai ser pêra doce, não senhor).

Boa sorte a eles... e a mim.

Nunca mais

(...)
Contigo, perdi tudo o que fui para não ser mais nada.
Deixei-me ficar nos sonhos que tivemos. Abandonei-me.
Nunca mais entenderemos a lua como quando acreditávamos que aquela luz que atravessava a noite nos aquecia. Nunca mais.
Nunca mais poderemos sonhar. Nunca mais.
(...)

José Luis Peixoto; excerto de "Lunar", in Antídoto

sábado, novembro 03, 2007

Madrugada



Dissipam-se todas as dúvidas... a madrugada desperta os sentidos.
A minha vida recomeça todos os dias, com o lusco-fusco... pela noite dentro. Deixo-vos a madrugada.

Faz hoje um ano...

E não me apetece deixá-lo morrer.

Tinha de voltar.
Porque lhe senti a falta... porque vos senti a falta.
Obrigada pelos comentários carinhoso e mails simpáticos.
Estou de volta. Talvez não tão assídua, mas de volta... de pedra e cal. Para o bem e para o mal; até que algo mais forte nos separe.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

A vida dos Espaços Perdidos chega agora ao fim. Pensei eu...
Depois pensei melhor e, pelo menos, é hora de uma pausa... grande... por tempo indeterminado... talvez definitiva. Logo se vê.

Na altura em que foi criado, achei que iria manter a minha cabeça ocupada e deixar de pensar em disparates a que dava uma importância extrema... não resultou. Mesmo sabendo que tudo tem uma importância relativa, parece que absorvia o meu tempo cada vez mais... e arrastava consigo os meus Espaços Perdidos. Às páginas tantas lá dava por mim a dizer mais do que queria... do que devia.

Obrigada a todos! Não imaginam a quantidade de vezes em que me reconfortaram a alma, mesmo sem saber. Não imaginam os sorrisos, lágrimas e gargalhadas que arrancaram de mim, vezes sem conta. Levo-vos no coração e vou continuar a seguir atentamente os vosso passos pela blogosfera.

Se tudo isto for um erro, posso sempre voltar e cá estará a porta entreaberta, como pretendo deixá-la... sempre e para sempre!

Deixo-vos beijos... muitos :)

Até já!

sábado, setembro 08, 2007

Desafios...

Fui desafiada pelo Márcio, do Canto do Desconhecido, a responder a meia dúzia de questões (aparentemente) simples...
Desafio aceite!
.
1º Dia mais triste da minha vida: Felizmente... repito, felizmente, já tive alguns!... que me fizeram crescer e com isso aprendi a "relativizar". Como diz o ditado: há males que vêm por bem. Hoje dói como se matasse, mas amanhã vamos reconhecer que foi um alívio.
2º Dia mais feliz da minha vida: Muitos, também. Se calhar porque - e ainda bem - consigo ficar imensamente feliz com quase nada. Mas acredito que haja acontecimentos realmente insuperáveis... a ver se me acontecem, um dia! Estão previstos 3 :)
3º Manias: Imensas... e agora sim, era um desafio excelente para lançar a quem me conhece, de facto (e, de facto, são muito poucos os que me conhecem assim tão bem).
4º Filme preferido: Sem sequer precisar de pensar... CINEMA PARAÍSO. Se este não existisse, teria dúvidas... Jeux d'Enfants, Le Dîner de Cons, Breaking the Waves, The Pianist, Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, Cidade de Deus, The Name of the Rose, Cape Fear, The Life of David Gale, Match Point, Seven, Ladyhawk... entre tantos outros.
5º Poeta preferido: Poeta, poeta, só poeta... Fernando Pessoa e Maria do Rosário Pedreira.
6º Comida preferida: Como o Márcio, também sou um "bom garfo"... mas pode ser sushi ao pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar.
7º Sou muito: tudo!... demasiado tudo!... excessivamente tudo!... exaustivamente tudo!... Pode ser mau... ou bom...
8º Viagem de sonho: Várias. Nova Iorque na passagem d'ano; Rio de Janeiro e Veneza no Carnaval; até Londres, de carro, pelo Canal da Mancha; Lapónia num dia qualquer; Índia, Japão, Indonésia, Argentina, Guatemala... concerteza as viagens de sonho!
9º Gosto de: chá com torradas, a chuva lá fora, uma manta quentinha e um abraço forte e tranquilizador... tudo ao mesmo tempo!
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Agora parece que é suposto passar o desafio... e lá vamos nós!

sábado, setembro 01, 2007

Onde ir

... eu não sei.

Eu não sei p'ra onde ir...
Eu não sei p'ra onde o mundo vai...
Nesse breu vou sem rumo...
Querendo ver o sol que não chega...
Só sei que o mundo vai de lá p'ra cá...

segunda-feira, agosto 27, 2007

... nao passa!

Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou; que me sento na cama, distraída, a dobar demoras e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós. Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por causa dos outros laços que não desfaço, sei que o amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou; que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso sempre, mas não de mais; e que os invernos que ele não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos separam, escondem a minha nuca na gola do casaco, mas só para guardar os beijos que me deu. Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.
- Maria do Rosário Pedreira -

domingo, agosto 26, 2007

Yupiii

O meu blog está curado!!!
(a ver se não há recaídas...)

Wild & Co.

E foi assim, em Albufeira...

Para eles, duas meninas que se mexiam lindamente, ao som do mesmo género musical. Vestiam uns guardanapos (mas chamavam-lhes "saias") e soutiens a condizer. Bem giras, por sinal!

Para elas (nós), dois acrobatas de garrafas... Sempre devem ter tido algum trabalho com os ensaios, o que torna a actuação mais elaborada e interessante.

Fica a reportagem fotográfica, ou o que nos foi permitido fazer, com o equipamento que havia disponível...

sábado, agosto 25, 2007

Smile

Pelas manifestções de carinho recebidas no "post" anterior... um big smile a todos!
(Não há imagens, mas há Youtube)

Nothing is permanent in this wicked world - not even our troubles. (Charlie Chaplin)

Miminho da Margarida...

Com base nos critérios definidos pela Calimera (de quem partiu a idéia), a gentil Margarida presenteou-me com o Certificado Blog, que caracteriza os meus Espaços Perdidos como:

Cheios de amor
Cheios de sofrimento
Cheios de alegria
Cheios de felicidade
Cheios de humor
Cheios de vida


À Margarida... um grande beijinho e um imenso obrigada, por fazer-me sentir um pavão, de tão "inchada" de orgulho!

Passo o mesmo certificado a todos os blogs adicionados aos "outros (blogo)espaços", como sendo aqueles cantinhos que eu visito diariamente e me fazem tão bem :)

...

PS: Continuo a lamentar não poder "postar" o dito certificado, pelo que adicionei o mesmo na barra lateral desta página, se quiserem saber do que falo :(
Igualmente, tenho pena de não conseguir sequer criar links nas minhas mensagens e, para saberem quem é a Margarida, vão aos blogs aqui listados, por favor. É liiinda! :)

quinta-feira, agosto 23, 2007

Bad Day

Hoje foi, claramente, um dia-não... Regra geral, o mau humor passa depois de um duche, mas hoje não foi o suficiente. Apesar de tudo correr com alguma normalidade, sem precalços preocupantes, a má disposição veio para ficar. Respostas tortas, avisos ameaçadores, grunhidos, amuos e sarcasmos irritantes... hoje instalou-se o pior do meu mau-humor.
Quem me conhece, ri-se e até me faz reconhecer que fico intragável; quem não me conhece, foge e insulta-me entre-dentes, que eu sei.
Mas que raio de dia! Foi p'ra isto que eu acordei cedo?!

segunda-feira, agosto 20, 2007

COMUNICADO

Caríssimos,

Este portátil está parvo de todo!!!
Ou então a placa de ligação à "net" passou-se... ou então é qualquer outra coisa que eu, como não sou informática, ainda não descobri, mas está a fazer mal ao meu blog. E isto não fica assim... ai não, não!
Aparentemente, os Espaços Perdidos estão desarrumados. Mas não, não estão!!!
Não consigo formatar textos; por isso é que está tudo desalinhado, com outro corpo e tipo de letra, e sem destaques. É também por isso que não há fotografias lindas, roubadas aqui, ali e acolá - e às vezes a mim mesma. E é também por isso que parece mais triste (mas isso já tem a ver comigo; aqui a casa está tão limpinha que reflecte como um espelho o estado da minha alma), mas não... são Espaços Perdidos-Contentes, mas agora andam um pouquinho debilitados. Deve ser um "bug", sei lá! Acho que vou experimentar trocar-lhe a medicação... tiro esta "pastilha" vodafone e enfio-lhe um kanguru, que vai começar logo aos saltinhos. Upa, upa! Não tarda temos os Espaços Perdidos-Contentes-Saudáveis de volta, prometo!

Agradeço a vossa compreensão.

A Gerência,
SF

Valha-nos o Youtube, que sempre dá música no salão dos Espaços...
Saravá!

Brilhante!

Por achá-la, de facto, brilhante, não posso deixar de partilhar. Esta redacção foi feita por uma aluna de letras, que venceu um concurso interno, promovido pelo professor da cadeira de Gramática.


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.

Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parêntesis, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.

Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.

Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.

Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que, as condições eram estas:

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva. "

Fernanda Braga da Cruz

sábado, agosto 18, 2007

Cover Sleeve

If you ever need me, just remember
All the times when we wandered free
If you ever miss me, don't you know
That I feel the same way

If you ever need me, just remember
And I'll always be there
If you ever miss me, don't you know
...don't you know
...we will meet again

zzz...

É 6ª feira... dia de varar a noite, como aliás já o são todos. Estou cansada, mesmo tendo sido um dia igual aos outros, e não me apetece sair... Será a rotina que me cansa? Ou talvez tenha chegado ao limite das minhas forças físicas. Quero acreditar que não... às vezes só preciso de um tempo sozinha no meu canto, e há muito que não o tinha. E sabe tão bem! Recarregar baterias. Chá verde e uns cigarros. Uma noite inteira no msn, como dantes. Um livro novo. Zapping nos míseros 4 canais que, normalmente, chegam e sobram para o tempo que dispenso à televisão. Esta noite pouco importa se adormeço no sofá ou consigo chegar à cama... se tenho tempo para tirar os óculos ou vestir o pijama... não importa de todo. Amanhã o sol vai entrar de mansinho, bem cedo, e acordar-me com muito jeitinho. Como eu gosto... e sem despertador.

quinta-feira, agosto 16, 2007

The "Ideal Woman"

I want you to be you
Don't change
Cause you think I might like you to be different
I fell in love with you
I don't want you blond
I don't want you not to swear, not to swep
It's you I fell in love with
Your turn of phrase, your sensitivity, your irrational moves
Well maybe that could go
But everything else, I want you to be you
I want you to dance whenever you feel it
Up by the bandstand
In the parking lot
Up on the table
Well, maybe the table can go
But I want you to be you
I love what you wear cause you're wearing it
That shawl
That clinging dress
The svelte black jacket
Those leopard capris
Well, maybe not the capris
But I want you to be you
I love what you eat
You want yogurt? you got yogurt!
Papaya? it's yours!
Chewing gum? chew away!
I just want you to be you...
Spit out the gum, it doesn't work...
When you sleep, you're the most beautiful
In the moonlight, your soft skin glows
Your hair scroll on the pillow a vision
The murmuring breath, the slight snore
The slight snore...
I want you to be you
.
by William Shatner

terça-feira, agosto 14, 2007

Desafio - 7 Factos casuais

O Mestre, do Quadro Negro, deixou-me este desafio:

Cada pessoa escreve sete factos casuais sobre a sua vida. Depois passa o desafio a outras sete, deixando um comentário no seu blog, para que essa pessoa saiba que foi desafiada.

Então, aqui vão as minhas respostas:
1 - Adoro conduzir à noite pelo Porto, enquanto fumo um cigarro e ouço um cd novo.
2 - Adoro acordar sem despertador.
3 - Tenho um fetiche com malas e sapatos.
4 - Gosto de banhos quentes e demorados.
5 - Odeio filas, mentiras, horários, polícias, favas e aracnídeos.
6 - Tirei um curso que não me serve para nada.
7 - Desconheço o sinónimo de "equilíbrio"... sou imprevisível como o tempo, um amor ou uma besta e vou da euforia à depressão num piscar de olhos... contudo, não sou bipolar (sou caranguejo).

segunda-feira, agosto 13, 2007

Quando eu morrer

Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti. Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis que alagámos de beijos quando eram outras horas nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu, trazem entre as penas a saudades de um verão carregado de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu, estrelas que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol, ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor.

- Maria do Rosário Pedreira -

(Prefiro em prosa... )

Não-Sonhos

Falávamos de sonhos... dos que ficam para trás e, mesmo assim, nos assombram a memória.
De como imaginávamos o nosso futuro, e em que ponto não coincidente nos encontramos agora.
Digo-te que há sonhos deliciosos que, concretizados, perderiam o encanto... e tento convencer-me disso também, talvez para justificar os meus sonhos fracassados por falta de empenho.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Cântico Negro

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
- José Régio -

quarta-feira, agosto 08, 2007

Mãos à obra!

Ando às voltas com a minha casa... apetece mudar tudo, mas como boa e genuína carangueja que sou, não consigo deitar nada fora. Ainda por cima abriram o Ikea aqui mesmo ao ladinho. Bolas! Para comprar coisas novas, preciso do espaço que não tenho. Mas este sofa vermelho é tããão lindo... desconfortável, eu sei, mas liiindo! E esta secretária já é uma relíquia, não posso nem quero desfazer-me dela... mas não combina com nada do que quero comprar. Começa a tornar-se uma árdua tarefa... e, como se não bastasse, ainda tenho a mania do bricolage. É velho... faz-se novo! Assim não vais longe, Sónia... ai não, não! Acho que a solução passa antes pelos acessórios decorativos... quer-me parecer que vamos apostar em papéis de parede, tintas, tecidos para cortinas e almofadas, tapetes e afins... e a casa velha (só) parece outra. Boa?!

Eu quero saber...



Não me interessa o que fazes para viver,
eu quero saber o que de facto procuras
e se és capaz de ousar sonhar em encontrar as aspirações do teu coração.
Não me interessa a tua idade.
Eu quero saber se serás capaz de te transformar num tolo para poder amar,
viver os teus sonhos, aventurares-te a estar vivo.
Não me interessa que planeta está em quadrante com a tua lua.
Eu quero saber se tocaste o centro da tua própria tristeza,
e se tens sido exposto às traições da vida
ou se te tens contorcido e fechado com medo da própria dor.
Eu quero saber se és capaz de ficar com a alegria, a minha e a tua.
Se és capaz de dançar loucamente
e deixar que o êxtase te envolva até a ponta dos dedos dos pés e das mãos,
e sem querer nos aconselhe a sermos mais cuidadosos,
mais realistas ou nos lembre das limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Eu quero saber se és capaz de desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo.
Se és capaz de escutar a acusação de traição
e não trair a tua própria alma.
Eu quero saber se és confiável e verdadeiro.
Eu quero saber podes ver a beleza, mesmo quando o dia não está belo,
e se podes conectar a tua vida através da presença de Deus.
Eu quero saber se és capaz de viver com os fracassos, os teus e os meus,
e mesmo assim te postares nas margens de um lago
e gritar para o reflexo da lua: "SIM"
Não me interessa onde moras ou quanto ganhas,
eu quero saber se és capaz de acordar depois da noite do luto e do desespero,
exausto e magoado até à alma, e fazer aquilo que precisa ser feito.
Não me interessa o que és, ou como chegaste aqui.
Eu quero saber se irás postar-te no centro do fogo comigo e não fugir.
Não me interessa onde, o quê ou com quem estudaste.
Eu quero saber o que te sustenta interiormente, quando tudo o resto desaba.
Eu quero saber se és capaz de ficar bem contigo mesmo,
e se realmente és boa companhia para ti próprio nos momentos vazios.

Oriah, Sonhador da Montanha
(Ancião Indígena)

De regresso

Ao fim de tanto tempo, estou finalmente de regresso a casa... a minha casa!

Saudades do cheiro, do espaço, dos móveis velhos... até dos vizinhos chatos.
Lá passei a tarde a mudar os móveis de lugar e a planear uma série de outras mudanças. Sentei-me a admirar o meu trabalho e acabei por pôr tudo como estava antes.
Haja paciência e força nos bracinhos...

ADN visual

A descobrir...
Um teste engraçado, interessante e simples de fazer.
Não custa nada... Just choose the pic!

Eu fiz! E o resultado foi... coincidente :)

quinta-feira, agosto 02, 2007

...


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa...
Quando se vê, já são seis horas!
Já é sexta-feira...
Já é natal...
Já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida... passaram-se 50 anos!
Agora e tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olharia o relógio...
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está muito à minha frente, e, diria que eu amo...
Por isso eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta por falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente... nunca mais voltará
- Mário Quintana -

terça-feira, julho 31, 2007

Olh'ó passarinho...

Simpático, bem disposto, educado... e a única coisa que queria era dois dedos de conversa... e uma moedinha... e um cigarro... e lume... e saber de que clube somos... e que lhe tirassem uma fotografia! Et voilá!!!

Um pouco de "tudo o que temos cá dentro"

Foto: Isaurinda Brissos
.
.
"... Como vês, estás sempre presente. É como a ligação entre nós, que receei nos continuasse a prender. Volto a ver-te, e no fundo espero cada dia. (...) Despertaste qualquer coisa em mim, tens de criar o que é teu! Pensei há pouco tornar a ver-te. Talvez não. Não sou capaz de dizer o que deveria confessar-te: é que estou contigo sem te tocar, desde sempre e até ao fim."

"... Ando à tua procura, será que te encontro? Estou aqui. Sou diferente, a minha pele mudou mas conserva o teu cheiro (...) não te esqueço. Será que me recordas ? (...) Ou deixaste mergulhar tudo no silêncio da tua partida? (...) Ficou um fio da nossa vida na tua memória ?"

- Daniel Sampaio -

domingo, julho 29, 2007

Il Nouvo Cinema Paradiso

A cena mais linda, do melhor filme...

Manual de Instruções


Chega de mansinho, mas de forma a que eu te sinta a presença. Não grites... aposto que consigo gritar-te ainda mais alto. Sou bem disposta, mas espera que seja a primeira a falar, pela manhã. Toca-me, toca-me muito e diz que sou a mais bonita do mundo... adoro quando mentes. Tenho a minha vida e gosto dela; faz-me rir, sentir saudades... mas não me faças perder tempo. Acredita no que digo; custa-me mentir e, se o fizer, terei concerteza uma razão mais forte. Respeita o meu riso e o meu choro. Se precisar, dá-me espaço até que te chame de volta. Não aceites todas as minhas respostas nem faças tudo o que te peço, porque irei achar que és demasiado fraco. Quero-te mais forte do que eu e com vontade própria, sem contudo descurar a minha própria vontade. Mima-me! Não me trates como uma criança nem queiras que te trate assim... arranja um meio-termo, já que eu não sei o que isso é. Tens que gostar de música e de sexo, de filmes não-comerciais, de uma boa conversa e até de uma boa discussão. Detesto banalidades, excepto compras... e tens de vir comigo. Confia em mim ao ponto de me emprestares o teu carro, mesmo sabendo que sou distraída. Quero-te vivo e diariamente reinventado. Se não conseguires nada disto... basta que gostes de mim ao ponto de me fazer gostar de ti, na mesma medida!

terça-feira, julho 17, 2007

Um rosto

"Apenas uma coisa inteiramente transparente: o céu, e por baixo dele a linha obscura do horizonte nos teus olhos, que pude ver ainda através de pálpebras semicerradas, pestanas húmidas da geada matinal, uma névoa de palavras murmuradas num silêncio de hesitações. Há quanto tempo, tudo isto? Abro o armário onde o tempo antigo se enche de bolor e fungos; limpo os papéis, cartas que talvez nunca tenha lido até ao fim, fotografias cuja cor desaparece, substituindo os corpos por manchas vagas como aparições; e sinto, eu próprio, que uma parte da minha vida se apaga com esses restos."
- Nuno Júdice -

PORTO

Foto: Pedro Costa

do Lat. portu
s. m., lugar onde se embarca ou desembarca
fig., lugar de refúgio ou de descanso; abrigo
.

Podia ser um poema... um quadro... uma música...

sábado, julho 14, 2007

Eu em Pessoa

Às páginas tantas, cá me vou encontrando nas suas palavras. Não teria o mesmo jeito para um relato tão autêntico do que se passa em mim mesma. O grande Pessoa consegue a descrição exacta do que sou e do que sinto, de uma forma assustadora que me agrada. Não consigo dissociar o gosto do risco que lhe está implícito, e deambulo nestes pensamentos vezes sem fim... gosto de jogos e acompanhas-me ao mesmo nível. "Estímulo" começa a ser uma palavra recorrente. Precisava de um estímulo... A minha vida precisava de um estímulo... Estimulas-me! Estimulo-te?

"A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa desencaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir. (...) Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e despersonaliza. (...) E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou. (...) Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter."
Fernando Pessoa - Livro do desassossego



O desassossego não é uma escolha.

domingo, julho 08, 2007

The time is now

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
- Fernando Pessoa -

sexta-feira, julho 06, 2007

... ou então não é nada!

Foto: Sérgio P.
(...)


No jogo da vida, as derrotas deixam marcas, as feridas fazem mesmo doer, muitas vezes não recuperamos aquilo que perdemos. Estamos ancorados à realidade e, por isso, para nos divertirmos, para nos sentirmos como aventureiros no meio de tudo isto, temos necessidade de coragem. E de não calarmos aquilo que dentro de nós nos chama a um sonho, clama por aventura, pede para fazermos com a vida qualquer coisa que seja grande.
Poderíamos dar ouvidos ao medíocre que quer instalar-se em nós. E evitar, por medo e preguiça, as dificuldades, as complicações, o sonho. Mas "evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto expor-se ao perigo. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada". Quem disse isto foi Helen Keller, a menina cega, surda e muda que veio a ser pedagoga e escritora.


A mediocridade tira toda a graça e todo o sal ao tempo que passamos aqui.
- Paulo Geraldo -

quarta-feira, julho 04, 2007

Benvindo!


A notícia chegou ontem, ao final da tarde... há muito que não acontecia, na nossa família. Começam os preparativos para receber esta lufada de ar fresco, com muita vontade. A mim, apraz-me particularmente a parte das compras, como era de esperar :)

Acho que vais gostar desta família. Não é muito normal, mas é das boas, garanto.

Sê muito benvindo!

sexta-feira, junho 29, 2007

Joelho


Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho
Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio
Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo
Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo
Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento
Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas
Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

- Maria Teresa Horta -

Remember again!

A fazer 36 anos em Novembro, foi a segunda discoteca a abrir na invicta e continua a ser uma referência na noite portuense. Se mexerem, estragam... concerteza!
.


Esta noite de "remember" sofreu uma baixa... hoje fomos só dois. Mas como costumo dizer... só faz falta quem está e a noite foi, igualmente, too much! Nada como JB*

* mesmo com esse ar de bandido ;)

quinta-feira, junho 28, 2007

Vale o que vale

Um café, por favor!
.

E é assim que se serve um café... com leite, natas, chocolate, açucar e adoçante, na fina porcelana e com todos os salamaleques. Olarila!

A juntar a tudo isto, a boa música, o bom ambiente, o bom tempo e a boa companhia.
E a bela da vista!
Esta cidade é linda sob qualquer prisma, em qualquer época, a qualquer hora...
.


A língua que temos

Incomoda-me que haja pessoas neste país que não saibam português... incomoda-me sobremaneira. Fartam-se de ler (dizem), mas afinal, deve ser em mandarim...
Reviram-se-me as tripas de cada vez que me deparo com tamanhas barbaridades, sejam orais ou escritas. Não distinguem uma vírgula de um ponto final, desconhecem que as reticências são APENAS três míseros pontos (e não mais), nunca sabem onde se coloca o hífen e acham que é igual usar dois "s" ou um "c" cedilhado. Bolas! Mas afinal onde é que aprenderam a ler???
E tudo isto para já nem sequer mencionar a - francamente - má utilização de palavras e expressões...
Acabei de dar uma voltinha pela blogosfera e fiquei, de facto, assustada. É assim tão complicado perceber a diferença entre "comemos" e "come-mos"?! Vamos a mudar este cenário, por favor... pode não ser a língua mais bonita do mundo, mas é a que temos, minha gente! Tratemo-la bem.

quarta-feira, junho 27, 2007

A Envergadura da Verdade

"Falar com franqueza e dizer a verdade são duas coisas totalmente diferentes. A honestidade está para a verdade como a proa de um barco para a sua popa. A franqueza aparece em primeiro lugar, a verdade vem depois. O intervalo de tempo entre ambas está na proporção directa da envergadura do barco. A verdade, quando aplicada às grandes questões, tarda em aparecer. Acontece, por vezes, que só se manifesta depois da morte."
Haruki Murakami, in 'Em Busca do Carneiro Selvagem'

Andas aí...

Andas aí a partir corações,
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
às tantas aos poucos, às tantas aos poucos
eu fui percebendo
às tantas eu lá fui tacteando
às cegas eu lá fui conseguindo
às cegas eu lá fui abrindo os olhos
.
E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
até que um "ai" me chegou aos ouvidos
e era só eu a vogar à deriva
e um animal sempre foge do fogo
e eu mal gritei: fogo!
mal eu gritei: água!
que morro de sede
achei-me encostado à parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa
.
E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade
.
Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é frágil o pano
que veste as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo
.
Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto, sim?
.
.
Sérgio Godinho