quarta-feira, junho 01, 2016

Ser, eternamente, criança... não será ser, eternamente, infantil.

 


 

É crescer, com a maturidade e responsabilidade que a vida exige, sem contudo perder a capacidade de sorrir, acreditar, chorar, brincar, sonhar, confiar... é ser curioso, ingénuo, puro e feliz. Nem que doa! É perdoar com facilidade, e esquecer. É cair, levantar e sacudir o pó dos arranhões. Seguir adiante! Sem arrastar, pela vida fora, o peso das mágoas. É ser isto tudo até aos 80, 90 ou mais. É conseguir ser tudo isto com o entendimento dos crescidos, com a complexidade do processo de amadurecimento, com a inteligência resultante da aprendizagem. Sem descurar a responsabilidade, sem ignorar os problemas e fazendo escolhas, assentes nos valores que recebemos ou criamos.
Ser eternamente criança é guardar, em si, o melhor. Não é ser inconsequente até ao fim. Não é achar que haverá sempre um Pai a passar a mão na nossa cabeça, quando fazemos asneira. É perceber a dimensão das asneiras e dos estragos. São gigantes. É resolvê-los, também! Não é ser infantil. Mas isto... sou só eu que digo! Vale o que vale!


Feliz Dia da Criança!

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Ontem houve mais uma Ronda dos Sem Abrigo. 

Mais uma noite mal dormida, com o coração apertado, mas cheio ao mesmo tempo [ainda bem que o coração é um músculo que estica e encolhe sem perder forma nem recheio, porque estas noites são mixed feelings indescritíveis, com tudo de bom e mau que se impõe].

Hoje, ainda de olhos mal abertos, este texto - como tantos outros, ao longo dos dias - veio parar-me às mãos.
Parei no 4º parágrafo. Perdi a conta às vezes que o li. Dei por mim a questionar-me quantas vezes terei feito a mim mesma a pergunta: "Mas qual é o verdadeiro propósito desta minha vontade de fazer alguma coisa? Os outros ou eu mesma?", e confesso que a dúvida se instalou, porque - admitamos - a vontade de ajudar os outros reflete-se no nosso próprio bem-estar. Lá está o coração, que estica e encolhe ao mesmo tempo, aperta mas fica cheio... muito cheio!

Olhei de relance, por cima do ombro, para o meu percurso. Acho que os meus propósitos são dos bons! O que me faltava era o compromisso, que aconteceu agora, com a RSA. Mission (never) accomplished!

Seja o que for que façamos, que seja pela melhor razão. Que os nossos impulsos sejam genuínos. Que sejamos gratos pelo que temos... aliás, acho que acaba por ser a "moral da história", no fim destas noites de ronda.





segunda-feira, dezembro 01, 2014

Ontem fiz a minha primeira Ronda dos Sem Abrigo. Sim, primeira!
Confesso que estava apreensiva... pelo frio, pelas tantas horas que demora uma ronda, pela carga emocional a que estava a expôr-me, pelas situações complicadas que - sabemos - volta e meia acontecem, enfim... por um sem número de razões, estava apreensiva.
A ronda começa com a chegada à garagem, ali para os lados de Aldoar. Cada um vai chegando, ao fim da tarde, depois de terminada a tarefa atribuída na ronda anterior. Vão, por isso, pingando aos poucos, até por volta das 22h00, hora de saída.
Os pontos de paragem são escolhidos a dedo... começamos suavemente com duas paragens pela Boavista, e depressa embrenhamos nos bairros PT e Aleixo, Sé e Rua Escura, Rua da Restauração e Jardim do Carregal, até fecharmos a ronda no Bairro do Cerco.
Imaginem os mais diversos cenários... imaginem os piores cenários, se quiserem. Estive lá e vi! Vi o que toda a gente sabe que existe, mas poucos conhecem, de facto. Corresponde em tudo ao que eu tinha imaginado... de bom, e de mau!
Eram 3h30 quando esvaziamos os carros e nos despedimos. Da ronda, trazemos histórias. Umas conseguiram arrancar-nos gargalhadas. Na generalidade, cortam-nos o coração. Fica o carinho com que a equipa da RSA me recebeu, e o calorzinho de (alguns) sorrisos agradecidos nas caras com que nos cruzamos durante a noite.
Obrigada! E até à próxima!

terça-feira, abril 22, 2014

[...]

Dizem que o tempo cura tudo... eu já acho que o tempo não cura nada. Acho, sim, que nos faz entender muita coisa. E é assim que nos diz que não precisamos que ninguém nos complete, porque já somos inteiros. E a cura vem desse entendimento, não do esquecimento que o tempo trouxe, porque não se esquece. E enquanto isso, a ansiedade faz muito mal, e por isso gosto do Valdispert... é como tomar um chá de tília. Tudo se revela, com a calma e tranquilidade de uma cabeça desempoeirada. Concluo, portanto, que o chá de tília e um espanador, fazem muito bem à vista. 



terça-feira, maio 11, 2010

ROMA | 20.02.99 - 11.05.10

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.

Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

[José Gomes Ferreira]

domingo, maio 02, 2010

Palavras para a Minha Mãe


Mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, Mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, Mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: Mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, Mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, Mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, abril 20, 2010

gentinha


Que é feito dos 'homens de palavra', da 'palavra de honra', dos compromissos sem assinaturas???
'Palavra de honra'... parece ser uma expressão que caiu, aparentemente, em desuso. E isso incomoda-me! Incomoda-me porque recebi a minha educação há mais de 30 anos e me foi dada por alguém que, de facto, sempre honrou a sua palavra, mesmo saíndo a perder de algumas situações. E acho que fui boa aluna! Não me parece nada justo que andem por aí uns quantos FDP que sempre se saem bem, às custas do pézinho no pescoço dos outros... nada justo, mesmo! Mas há-de ter algum propósito... não sei qual, mas há-de ter.

sexta-feira, março 19, 2010

Lembras-te?!

Lembras-te? Sentava-me nos passeios da baixa, a cantar, e obrigava-te a sentar comigo... e tu sentavas e cantavas. Pedia-te para me leres a "história do dia" que vinha no jornal... e tu inventavas uma história para mim. Ocupava as tuas tardes de fim-de-semana com pistas de carros e comboios espalhadas pela sala... e tu gastavas todo o teu tempo comigo naquelas brincadeiras. Pedia-te para me arrastares de cócoras pela calçada portuguesa das ruas do Porto, e tu levavas-me até onde fosse possível. Vamos atrás das pombas... comer um gelado, andar de bicicleta... E tu estavas sempre lá, sempre comigo!

 
Sei que fizeste e ainda fazes tudo por mim... sempre por mim.
Sinto que sou o centro do teu mundo e tu também és o melhor do meu.
Perdoa-me se às vezes não o demonstro.
 
És o melhor Pai do mundo! Feliz dia!

segunda-feira, março 08, 2010

domingo, março 07, 2010

Estranho como um sorriso de um bisturi. Íntimo como um olho sem pálpebra aberto na nossa mão. Deslumbrante como o rumor da passagem de um unicórnio. Fiel como a súbita seda negra do medo. Temível como o brilho da espada de fogo de um arcanjo. Submisso como as ondas que rebentam contra a praia de um peito. Devastador como a clareza de um olhar num espelho quebrado. Inevitável como a ferida feita pela chuva num coração de pedra, o amor chega um dia á nossa vida e nós não estamos.

[Abelardo Linares]

quinta-feira, março 04, 2010

o carácter do destino


Não só as coisas acontecem com as pessoas, (...) cada um gera também aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Fá-lo, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter.

[Sándor Márai | 'As Velas Ardem Até ao Fim']

segunda-feira, março 01, 2010

[...]


É... pele sorrisos beijos abraços cheiro olhos corpos conversas calor rir chorar paz olhares mãos momentos sonhos segurança confiança arrepio feliz ter ser entrega destino dar vontade sentir tempo toque verdade  [...] 

segunda-feira, fevereiro 15, 2010


O teu gosto na minha boca
mel que sacia meus desejos
na hora derradeira
do medo de te perder
em meio nos lençóis.
O teu cheiro impregnado
no meu corpo
perfume raro que nem a chuva
leva de mim…
-Ademir Antônio Bacca-

domingo, fevereiro 14, 2010

Happy Valentine's Day

[...]


Encostei-me a ti,
sabendo que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem
depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar,
quando caí.
-Cecília Meirelles-

terça-feira, fevereiro 02, 2010

as tuas palavras especiais


Tenho que dizê-lo: nunca conheci ninguém como tu!

É um cliché dizer que não há duas pessoas iguais, eu sei... mas tu és, claramente, diferente. E especial! Muito especial. E esses são raros. Nunca ninguém gostou de mim assim... tão incondicionalmente. Sem esperar a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada em troca. É bom e mau. Bom, porque é assim que se deve gostar, e faz-me continuar a acreditar que é possível. Mau, porque acho que nunca consegui retribuir-te da mesma forma, ou melhor... da forma que merecias. Bom, porque essa fé faz com que nunca me canse de procurar. Mau, porque acabo sempre por me dar a quem não merece o tanto que se dá, e isso sim... cansa muito.

As tuas palavras continuam a ser as mais especiais que me chegam...